Perspectivas
Due diligence tarde demais: o que conferir antes de pagar advogado e auditor
O dinheiro que se perde numa aquisição ruim raramente começa no preço pago pela empresa. Começa nos honorários da due diligence de um negócio que nunca deveria ter chegado à due diligence. A diligência formal — contábil, trabalhista, fiscal, societária — é indispensável e cara; o erro comum não é pulá-la, é contratá-la cedo demais.
A sequência racional tem duas etapas. Primeiro, o screening econômico: os números fazem sentido? O retorno real supera o custo de oportunidade? O que precisa ser verdade para a tese funcionar, e qual a chance disso? Se a resposta for não, a conversa acaba ali, e os honorários da diligência ficam no bolso. Se for sim, a diligência entra com um mapa: o screening já apontou onde as premissas são frágeis, e é ali que advogado e auditor devem cavar primeiro — passivo trabalhista escondido em "prestador de serviço", faturamento que depende de um cliente, contrato de aluguel que vence junto com a paciência do locador.
O screening não substitui a diligência e não é parecer jurídico — está escrito na nossa página, na seção "quando não faz sentido". Ele vem antes, para decidir se ela merece ser paga, e junto, para torná-la mais barata e mais afiada.
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