Perspectivas
Manutenção ou trabalho novo? A fronteira que precisa estar escrita antes de quebrar
A ligação chega numa quinta-feira: a automação está errada. Ela não está — faz exatamente o que foi combinado; o que mudou foi o que a empresa precisa que ela faça. Agora existem duas leituras da mesma frase do contrato, e a operação está parada.
Manutenção e escopo novo chegam pelo mesmo telefonema, no mesmo tom de urgência, e são coisas diferentes. Sem a frase escrita antes — manutenção é fazer voltar a funcionar como estava; mudar o que a rotina faz é trabalho novo — a fronteira acaba negociada no pior momento possível: com a operação parada e os dois lados convencidos de que estão certos.
Quem cede passa a subsidiar escopo sem limite; quem cobra vira o fornecedor que aproveitou a emergência. Nenhum dos dois agiu de má-fé: faltou o combinado. E o combinado precisa incluir o que fica de fora — rotina nova, mudança do que a rotina faz, licença de plataforma de terceiro, indisponibilidade do sistema do cliente.
Isto não é parecer jurídico: a leitura do seu contrato é do advogado de sua confiança. O que dá para fazer é publicar a fronteira antes de vender: a manutenção cobre monitoramento com alerta que chega em alguém que age, conserto quando a rotina quebra por mudança de terceiro, ajuste pequeno dentro das horas inclusas e relatório mensal do que rodou e do que falhou. A partir de R$ 2.500/mês, que cobre até 6 pontos de fragilidade e 10 horas inclusas — integração vale 1 ponto, navegador vale 3; ponto adicional R$ 300/mês; hora excedente R$ 250, aprovada por escrito antes de rodar. Licença de plataforma de terceiro não está embutida: é repasse identificado. Mensal, sem fidelidade.
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