Perspectivas
O escritório quer IA, o compliance trava: o impasse dos regulados
O sócio sabe que resumir processo, comparar contrato e redigir a primeira versão poderiam custar uma fração das horas que custam hoje. E sabe também que o documento do cliente não pode passear por serviço público — sigilo profissional, dever contratual, LGPD. Nos escritórios de advocacia e contabilidade e nas clínicas, a conversa sobre IA trava sempre nesse mesmo ponto, e o empate cobra dos dois lados: as horas continuam sendo gastas, e os mais jovens da equipe usam IA escondido, que é o pior cenário possível.
O que destrava o impasse é entender que ele parte de uma premissa falsa: a de que usar IA implica mandar dado para fora. Não implica. Existe hoje um caminho intermediário entre "assinatura pública" e "não usar": um ambiente montado com software consolidado de código aberto, instalado na conta do próprio escritório — nuvem, servidor nacional ou máquina própria — com o processamento de IA rodando por padrão na região Brasil da nuvem. O dado não sai do país, o acesso respeita os grupos que a rede do escritório já tem, e cada consulta fica registrada: quem perguntou, que documentos foram usados.
Sem desenvolver nada, sem manter software próprio, sem virar refém de fornecedor — o código é aberto e a conta é sua. Implantação em duas a três semanas, R$ 8 a 15 mil, mais R$ 1.500 a 3.000 por mês de operação, com prazo em contrato: atraso nosso, 50% de desconto. E dizemos na primeira conversa quando não vale a pena: volume baixo, sem restrição de sigilo, se resolve com assinatura comum e custa menos. O empate se resolve como todo empate técnico: mudando o tabuleiro.
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