Perspectivas
Quando o ROI prometido vira cláusula: o passivo escondido na proposta comercial
Tem uma frase que vendedor adora e advogado teme: "retorno garantido de X% em Y meses". Ela fecha reunião — e às vezes reabre o contrato, do jeito errado.
Números prometidos na venda têm o hábito de migrar para o contrato, seja como cláusula de performance exigida pelo cliente, seja como expectativa que fundamenta discussão de inadimplemento depois. Quanto mais redondo e confiante o número da proposta, maior a chance de alguém querer amarrá-lo juridicamente. E aí a empresa descobre que prometeu resultado sobre variáveis que não controla — adoção do usuário, qualidade do dado do cliente, contexto de mercado.
O business case bem construído protege exatamente aqui, por um mecanismo simples: ele não promete um número, apresenta três cenários com premissas explícitas — e as premissas que dependem do cliente ficam nomeadas como dele. Se a adoção prevista era 70% e o cliente entregou 30%, a planilha mostra de quem era a variável. O documento que ajudou a vender vira o documento que delimita a responsabilidade.
Não substitui a revisão do contrato pelo jurídico — recomendamos que ela exista. Mas chega antes dela: cinco dias úteis, memória de cálculo por premissa, e a diferença entre prometer resultado e demonstrar potencial escrita de forma que proteja os dois lados da mesa.
Serviço relacionado
Business case e modelo de ROI
Prazo em contrato e escopo fechado. Se atrasarmos por nossa causa, sem atraso seu, metade do valor daquela entrega volta. Ver o que fazemos.