Perspectivas
Quem responde quando a IA erra? O contrato que falta nas ferramentas que sua equipe usa
Um funcionário usa uma ferramenta de IA gratuita para redigir a resposta a um cliente. A resposta sai com um erro grave — um número inventado, uma condição que não existe. O cliente cobra. Quem responde?
A empresa, evidentemente. Perante o cliente, a responsabilidade pelo que a equipe envia é dela, tenha a ferramenta sido aprovada ou não. E aqui está a assimetria que quase ninguém lê: nos termos de uso das ferramentas gratuitas, o fornecedor limita a própria responsabilidade ao mínimo, não assina compromisso de tratamento de dados com a sua empresa, e muitas vezes se reserva o direito de usar o que foi digitado. A empresa fica com toda a responsabilidade e nenhum contrato.
A LGPD acrescenta a segunda camada: dado pessoal de cliente ou colega colado numa ferramenta sem contrato de tratamento é operação sem base documentada — exatamente o tipo de coisa que um incidente transforma de detalhe em manchete interna.
A resposta madura não é banir; é dar à equipe um ambiente onde a relação contratual existe: quem processa o quê está escrito, o dado da empresa não entra em treino de modelo — porque a inferência roda em camada paga de API, onde os contratos dos provedores vedam esse uso, e camada gratuita, onde a regra é outra, fica fora por decisão de arquitetura —, o acesso é nominal e o registro de uso existe para o dia em que alguém perguntar. É o desenho da plataforma gerenciada — com a revisão dos seus contratos ficando, como sempre, com o seu jurídico. A diferença entre ferramenta e fornecedor é a assinatura; equipe usando IA sem contrato é a sua empresa operando como avalista de um serviço que nunca prometeu nada a ela.
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